terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Internet - Resumo Comentado - Tecnologia da Comunicação (1º semestre)


Dentro do contexto da Guerra Fria, na iminência de uma guerra nuclear entre as duas potências do período, foi concebida e criada como uma rede de informações completamente descentralizada, a Arpanet, que constituía basicamente uma rede de utilização restrita a centros de pesquisa e universidades, patrocinada pela ARPA (Departamento de Defesa norte-americano), e a sua orientação estratégica não era a da exploração comercial, mas constituía, sim, uma estratégia de defesa militar e de inovação tecnológica; sua natureza experimental não permitia ainda exploração econômica.
A Arpanet vai tomar configurações no futuro, em termos de topologia e de utilização de tecnologias criadas ou adaptadas para o seu funcionamento, através da definição de linguagens específicas que permitam a comunicação entre computadores interligados em rede, bem como o desenvolvimento de toda uma gama de softwares e hardwares que possibilitem a interconexão entre computadores, e que serão fundamentais para a constituição de uma “economia digital”. Nessa fase experimental são desenvolvidas importantes tecnologias de armazenamento, operação, transmissão e recepção de dados em rede.
Não conta durante seus primeiros vinte anos, com nenhum tipo formal de exploração econômica que lhe dê sustentação, sendo até então financiada com recursos públicos do governo dos EUA, num modelo de financiamento que foi seguido também pelos governos dos países que foram se conectando à rede, à medida que esta iniciou sua expansão. Porém a economia das comunicações (já que a infra-estrutura física da rede era a das telecomunicações, alugando suas linhas), e também, uma economia industrial tradicional, ligada às nascentes indústrias de tecnologia, como as de produção de computadores e softwares, foi inevitável. Assim, à medida do tempo, o Arpanet foi se distanciando da orientação estratégico-militar que lhe deu origem.
Nos anos 80, as inovações tecnológicas mais importantes são no sentido de abrir a um número maior de pessoas e países o acesso à rede, aumentar sua interatividade, bem como encontrar as primeiras aplicações comerciais para ela. As inovações criadas nesta década: CompuServe (primeiro serviço de informações on-line), DNS (Sistema de Domínios, que vai determinar a hierarquia entre os computadores ligados à rede), América Online (provedora de Sistemas de Boletins Informativos, BBS, com conexão discada), National Science Foundation (NSF, cria um backbone de 56 kbps, aumentando a capacidade de transmissão da rede), Tim Berners-Lee começa a desenvolver o projeto World Wide Web (WWW), e finalmente a desativação da Arpanet. A criação e o registro do DNS (citado acima), constitui um sistema de submissão entre os computadores conectados, este sistema de domínios possibilita a criação de sub-redes de computadores que podem ter extensão local (chamadas LANs- Local Área Network), metropolitanas (MANs- Metropolitan Área Network) até desembocarem nas redes de grande porte (WANs- Wide Área Network), que são as grandes redes ou backbones conectados entre si (WWW, PNP brasileira, Janet européia).
No início dos anos 90, houve a substituição da filosofia da Arpanet (rede científica estratégica, patrocinada por recursos públicos) pela da Internet (rede aberta de comunicação, autofinanciável). Gerando assim a entrada de interesses comerciais na net, o que atraiu um outro tipo de usuários, domésticos (procurando serviços úteis, publicando páginas pessoais,...) e empresariais (múltiplos interesses). Graças ao seu baixo custo, as tecnologias e os serviços da Internet permitem às empresas constituir um sistema integrado de informações barato. De todas as aplicações da Internet, as mais evidentes hoje são o comércio eletrônico (e-commerce) e os negócios em rede (e-business). Deste modo, duas coisas passam a ser fundamentais: a audiência, que passa a ser vital para a negociação entre os portais e os anunciantes, e o conteúdo de informações, que passa a ser o diferencial na conquista dessa audiência. O audiovisual passa a ter um valor inestimável na Internet, como estratégia clara de conquista e fidelização de público. No final dos ano 90, AT&T, juntamente com Dell Computer, Excite e SBC Communications se unem para oferecer acesso de alta velocidade, utilizando a tecnologia ADSL (Asymetric Digital Subscriber Line).
A Internet desde o seu nascimento até os dias atuais só têm crescido em matéria de Hosts, os EUA, Japão e Canadá, nesta ordem, são os países que lideram os acessos, o Brasil toma a 10º posição (dados fornecidos em 2002). A expansão se dá com a criação, o aperfeiçoamento e a distribuição de novas ferramentas tecnológicas de uso em rede. Os provedores têm que adotar estratégias de fidelização de público e crescimento de audiência baseados na oferta de conteúdo on-line. O raciocínio é semelhante ao da TV aberta, no sentido da troca de audiência por receita publicitária, junto ao mercado anunciante, e na troca de conteúdo informativo por audiência, junto ao público em geral.

No ano de 2000, ocorre a fusão da maior companhia de informação do mundo com a maior empresa de Internet do planeta. A união das duas gigantes reflete esses dois direcionamentos, haja visto que um dos objetivos da empreitada é alcançar o máximo de audiência pela convergência de três fatores que as duas companhias possuíam em separado, e agora passam a dividir: conteúdo, na forma de programação, marcas títulos editoriais,..., que eram o forte da Time Warner; uma base física de rede de cabos óticos instalada, imprescindível para a veiculação de conteúdo audiovisual de alta velocidade, que a Warner também já possuía; e visibilidade no ambiente on-line, através de uma base de assinantes grande e já consolidada e de uma marca com grande penetração no âmbito da rede em termos mundiais, como é o caso da AOL.

A utilidade pragmática e eminentemente estratégica da rede foi manter abertos os canais de comunicação entre os núcleos de pesquisa do grupo de elite das universidades conectadas, os órgãos da inteligência militar e as empresas com contratos de fornecimento de alta tecnologia de defesa para o governo norte-americano, tornando-se um instrumento tecnológico a serviço da defesa de um determinado sistema político e econômico. Isso fará com que a Internet seja um sistema completamente modular e aberto, cujo, desenvolvimento baseia-se na contribuição voluntária e adoção coletiva das inovações recorrentes. Fruto de uma inteligência distribuída entre os diversos participantes e, sobretudo, localizada na periferia.

Em fins dos anos 60, na Califórnia, houve a constituição de uma rede, devido ao resultado da conjunção de uma série de pré-condições técnicas, científicas, institucionais, econômicas e culturais, condições as quais foram fundamentais para o seu desenvolvimento.

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